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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Tirar aos pobres

Publicado no Blog Avenida da Liberdade (Espaço Público)

Tirar aos pobres...Tirar aos pobres...

Tirar aos Pobres...

Há alguns fenómenos no nosso País que passam ao largo das nossas preocupações. Começo a pensar que não é por acaso, e que a nossa agenda é meticulosamente guiada!

Todos os dias sabemos de negócios milionários. Na Bolsa alguém acorda de manhã e compra milhões de acções de uma empresa que - vejam a coincidência vai ser OPAda

Ali a uns dias. Milhões em Mais-Valias!

Nas empresas sempre ou quase sempre nas públicas - os jornais começam a falar de centros de decisão e, passados uns dias, eis que saem uns investidores (dando ares de quem se sacrificou a bem da economia) para entrar outros, normalmente a convite do governo. Passados uns tempos sabemos que uns e outros ganharam milhões em mais-valias!

Políticos e Gestores públicos ocupam vários lugares muito bem remunerados, tudo como se o dia tivesse quarenta e oito horas, nunca se conhecendo os resultados da sua actividade e, quando se sabe, os resultados são milhões de prejuízos!

Pensões, várias! Indemnizações luxuosas, seguidas de três meses de férias, e posterior entrada em uma outra empresa do Estado, o mesmo, que lhe acabou de pagar a choruda indemnização!

Os Bancos, contra tudo o que seria natural, apresentam resultados cada vez maiores, como se a economia onde operam estivesse forte e vigorosa!

Mas então, apetece perguntar, este País dos negócios milionários, não é o mesmo onde a Economia decresce desde há quase dez anos, em que o PIB apresenta preocupantes valores que nos deixam na

cauda da Europa?

Ao mesmo tempo, as estatísticas (normalmente vindas lá de fora, as maganas) dizem-nos que no mesmo País onde crescem os milionários, também crescem ( em número, coitados Deles) os mais pobres!

É lá possível, num País governado nos últimos dez anos por um partido

socialista e outro social-democrata?

O PC - que não brinca em serviço - diz que a Esquerda está no Poder, mas que faz política de Direita!

Quando recordamos que a última vez em que o País se tornou mais rico e mais justo (em que o leque salarial e da riqueza se reduziu) foi num governo de Centro Direita, respondem-nos, que isso se deveu ao facto da Economia estar pujante.

Vamos então ver se nos entendemos: quando a Economia está a crescer paga todos os factores de produção e, produz um excesso, que é acumulado pelas actividades e/ou indivíduos que melhor se prepararam para a partilha!

Aceitando isso como um facto natural, então teremos de estar convictos que são também essas actividades e/ou indivíduos que melhor preparados estão para reinvestir e manter a Economia a crescer!

Mas o que dizer da Esquerda, que se autonomeando solidária, justa e equitativa, permite que num País, onde a riqueza não cresce - não há por isso acumulação de riqueza para repartir - o leque de bem-estar se alargue, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres?

Ou, mais cruamente, que a transferência de riqueza se faça directamente do bolso dos que vivem pior, para o bolso dos que vivem melhor?

Há dezasseis anos que este país recebe dois milhões de contos, em média, por dia.

Mas de nada tem valido aos dois milhões de pobres que, para nossa vergonha, continuam a viver uma vida de miséria, imprópria de uma sociedade justa, europeia e democrática!

Não é o que se espera de governos socialistas e sociais-democratas!

Luís Moreira

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Palavras para quê?????????

Hoje Recebi Flores!   
Não é o meu aniversário ou nenhum outro dia especial; tivemos a nossa primeira discussão ontem à noite e ele disse muitas coisas cruéis que me ofenderam de verdade.
Mas, sei que está arrependido e não as disse a sério, porque ele me enviou flores hoje.

Não é o nosso aniversário ou nenhum outro dia especial. Ontem ele atirou-me contra a parede e começou a asfixiar-me. Parecia um pesadelo, mas dos pesadelos acordamos e sabemos que não é real. Hoje acordei cheia de dores e com golpes em todos lados.
Mas, eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje.
E, não é São Valentim ou nenhum outro dia especial.
Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me. Nem a maquilhagem ou as mangas compridas poderiam ocultar os cortes e golpes que me ocasionou desta vez.
Não pude ir ao emprego hoje porque não queria que se apercebessem.

Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje.
E, não era dia da mãe ou nenhum outro dia.
Ontem à noite ele voltou a bater -me, mas desta vez foi muito pior. Se conseguir deixá-lo, o que vou fazer? Como poderia eu sozinha manter os meus filhos? O que acontecerá se faltar o dinheiro? Tenho tanto medo dele!
Mas, dependo tanto dele que tenho medo de o deixar.
Mas, eu sei que está arrependido, porque ele me enviou flores hoje.
Hoje é um dia muito especial:

É o dia do meu funeral.
Ontem, finalmente conseguiu matar-me.
Bateu-me até eu morrer.
Se ao menos tivesse tido a coragem e a força para o deixar... Se tivesse aceitado a ajuda profissional...
Hoje não teria recebido flores!
Anónimo.

Por uma vida sem violência!!!!
Partilhem esta mensagem... para criar consciência.
Não podemos deixar que continue. É uma realidade muito triste.
PARA QUE SE TENHA RESPEITO PARA COM A MULHER É BÁSICO QUE SINTAM O AMOR QUE TEMOS PARA COM ELAS, JÁ QUE DELAS NASCEMOS....

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Fim do banco

Aqui fica um texto do humorista Bruno Nogueira.... Não é para rir, mas para meditar seriamente...
Fim do banco


A idade vai comendo a vida.
Vai ratando o futuro, e nós (eles) a verem.
Acorda-se com um dia a menos, e adormece-se com um dia a mais.
O calendário vai-nos mudando o corpo.
Vai-nos empurrando as costas, para a queda ser pequena.
Os velhos sabem de cor o chão.
Como quem sabe que está quase a chegar lá.
Desde que perdi a minha avó, que ganhei o respeito por quem mora no terceiro andar da idade.
Perde-se para ganhar.
E assim foi.
Emociona-me.
Que vida inteira pode ser sentada sozinha, num banco de jardim?
Com a idade, nunca escolhem o meio, sempre o fim do banco.
Em crianças, ter-se-iam sentado na outra ponta?
E deixam-se estar.
Respiram como podem.
Os olhos já não procuram nada. Já viram tudo.
Vão guardando o passado em rugas, para libertar a cabeça.
Em que pensam?
Na morte?
Os velhos não vivem. Deixam-se viver.
Os filhos já tem a vida deles, não os querem.
Tem de ir viajar e fazer compras para o jantar.
"O pai tem estado bem? Então vá, um beijinho."
Picaram o ponto, e para eles está feito.
Os novos choram com o corpo todo, gritam e fazem caras de quem sofre.
Os velhos choram só com os olhos, que o resto não se vê.
E assim o fazem, no fim do telefonema.
Ninguém os quer com as doenças cheias de idade.
As mãos da idade cheiram a tudo, com as veias cansadas de mostrar o sangue a toda a gente.
As pernas vão perdendo caminho.
Os braços deixam de abraçar.
O coração começa a falhar, já bateu demais mesmo para quem amou pouco.
Vai-se esquecendo de bater.
E uma noite, sem avisar, desaprende.
Desliga os olhos e atira o corpo para o fim.
Ocupam agora o banco todo.
Do principio ao fim, todo ele é corpo.
E os filhos, cansados de telefonar, resmungam.
Morreram oitenta e dois anos, e nem mais um dia.
A cidade não pára, o mundo não interrompe, nada.
Os filhos enterram vinte anos, e guardam os outros sessenta e dois.
Os últimos vinte davam trabalho e de pouco valiam.
Não tem vagar para os guardar.
Mas de hoje em diante, esses vinte vão acordá-los todos os dias.
Até se deitarem sozinhos no banco que os vai deitar.