Ontem dia 25 de Abril, fui comemorar o 25 de Abril, com a guarnição da fragata Almirante Gago Coutinho, frequentemente é esquecida a sua importante participação no 25 de Abril de 1974. Então resolvi prestar a minha homenagem a esses Homens contando aqui os factos ocorridos a bordo do da fragata no dia 25 de Abril de 1974.
“Caldeira dos Santos – Capitão-de-Fragata
Ferreira Duarte – Capitão-de-Fragata
Almeida Moura - Capitão-de-Fragata
Alves Gaspar - Capitão-de-Fragata
Teixeira de Melo - Capitão-de-Fragata
Aníbal Teixeira - Capitão-de-Fragata
Hélder Loureiro - Capitão-de-Fragata
Dores Sousa - Capitão-de-Fragata
- Integrada numa força NATO, a fragata rumava à saída da barra quando foi mandada retroceder, abandonando a formatura e colocando-se em frente ao Terreiro do Paço. Esta ordem veio do Estado-Maior da Armada;
- O Imediato na asa da ponte de EB informa o Com.te do navio que a posição da Marinha para com o movimento é de neutralidade activa;
- O Almirante Jaime Lopes dá ordem ao Com.te do navio para abrir fogo sobre os tanques do Exército posicionados no Terreiro do Paço;
- O Com.te do navio não cumpre a ordem, alegando que estava muita gente no Terreiro do Paço e, também, que vários cacilheiros se encontravam nas proximidades;
- O Com.te do navio recebe ordens para fazer fogo de salva;
- O Com. .te do navio dá ordem ao Chefe do Serviço de Artilharia para fazer fogo de salva;
- O C.S Artilharia recusa-se, chamando a atenção do Com.te do navio para o Imediato que tinha algo a dizer;
- O Imediato reafirma a intenção dos oficiais se recusarem a abrir fogo mesmo de salva;
- O Com.te do navio em crescente histeria, exonera do seu cargo o Imediato. Os oficiais a seguir convidados a assumirem o cargo recusaram;
- Os oficiais mantêm-se disciplinadamente, a cumprir ordens do Com.te, excepto a de abrir fogo;
- Pelas 13H20 o Com.te reúne-se com os oficiais na câmara. Em cima da mesa coloca uma pasta de arquivo verde, onde se pôde ver inscrita a palavra “Revolução”.
- Após ter inquirido, um a um, todos os oficiais, começando pelo mais moderno, sobre se mantinham a sua posição de recusa de abrir fogo, o Com.te do navio considerou todos os oficiais insubordinados;
- No final da reunião, que terminou antes da rendição do Presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, no Quartel do Carmo, o Com.te do navio realçou explicitamente a necessidade de cada um de nós não se esquecer da posição que tinha assumido, pois ele não se esqueceria.”
Quanto a mim, a coragem e determinação destes Homens que mesmo sabendo que correriam riscos, se recusaram a cumprir uma ordem que teria consequências imprevisíveis para o resultado do 25 de Abril, merece ser lembrada.
Fonte: Texto entre aspas foi transcrito dos Anais do Clube Militar Naval