AMIGOS
QUERO AGRADECER A TODOS ATENÇÃO E CARINHO DEMONSTRADO. PENSO VOLTAR EM FINAIS DE JULHO.
OBRIGADO E UM ABRAÇO
AMIGOS
QUERO AGRADECER A TODOS ATENÇÃO E CARINHO DEMONSTRADO. PENSO VOLTAR EM FINAIS DE JULHO.
OBRIGADO E UM ABRAÇO
Amigos e Visitantes deste blogue
Devido a uma queda, lesionei-me no braço direito, o que me impede durante algum tempo que espero seja breve, de publicar, visitar-vos e comentar-vos.
Um Abraço a todos.
Antes que o sonho (ou o terror) tecera
mitologias e cosmogonias,
antes que o tempo se cunhasse em dias,
o mar, sempre o mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é o violento
e antigo ser que destrói os pilares
da terra, e é só um e muitos mares,
e abismo e resplendor e azar e vento?
Quem o olha vê-o pela vez primeira,
sempre. Com o assombro tal que as coisas
elementares deixam, as formosas
tardes, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia
que virá logo após minha agonia.
Poema de Jorge Luis Borges, "IN Rosa do Mundo-2001 Poemas para o Futuro" da Assírio & Alvim

A ti, que nos dás força,
A ti, que nos impões
simplicidade.
A ti, que nos acordas
e com o rosto sereno
nos ergues de manhã.
A ti, que nada pedes
a não ser um pouco de música
e nada exiges
e nos dás a tua própria ternura.
A ti, que diariamente nos acolhes
e nos trazes riso fresco
e nos dás uvas
e nos fazes cantar
nas horas difíceis.
A ti, que ofereces água
a todos que passam
e mostras um caminho
aos poucos iluminados.
A ti, que com a tua dança,
o teu ritmo, o teu fogo
transformas as paisagens
e deixas ruas cor de ouro
e deixas árvores cor de linho.
A ti, que estás suspensa na noite
como uma lua branca,
e nos enches com a tua claridade
e nos dás esta grande confiança,
esta alegria imensa de crianças.
A ti esperança, eu dedico
agora e sempre
este poema.
João Rui de Sousa (1928) "IN De Palvra em Punho"
Fotografia: Rarindra Prakarsa

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Fotografia: Bianca Van Der Werf