quinta-feira, 10 de julho de 2008

AUSÊNCIA I

AMIGOS

QUERO AGRADECER A TODOS ATENÇÃO E CARINHO DEMONSTRADO. PENSO VOLTAR EM FINAIS DE JULHO. 

OBRIGADO E UM ABRAÇO

quarta-feira, 2 de julho de 2008

AUSÊNCIA

 

Amigos e Visitantes deste blogue

Devido a uma queda, lesionei-me no braço direito, o que me impede durante algum tempo que espero seja breve, de publicar, visitar-vos  e comentar-vos.

Um Abraço a todos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Mar

 Água  

Antes que o sonho (ou o terror) tecera

mitologias e cosmogonias,

antes que o tempo se cunhasse em dias,

o mar, sempre o mar, já estava e era.

Quem é o mar? Quem é o violento

e antigo ser que destrói os pilares

da terra, e é só um e muitos mares,

e abismo e resplendor e azar e vento?

Quem o olha vê-o pela vez primeira,

sempre. Com o assombro tal que as coisas

elementares deixam, as formosas

tardes, a lua, o fogo da fogueira.

Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia

que virá logo após minha agonia.

 

Poema de Jorge Luis Borges, "IN  Rosa do Mundo-2001 Poemas para o Futuro" da Assírio & Alvim

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A Ti, Esperança

A ti, que nos dás força,

A ti, que nos impões

simplicidade.

A ti, que nos acordas

e com o rosto sereno

nos ergues de manhã.

A ti, que nada pedes

a não ser um pouco de música

e nada exiges

e nos dás a tua própria ternura.

A ti, que diariamente nos acolhes

e nos trazes riso fresco

e nos dás uvas

e nos fazes cantar

nas horas difíceis.

A ti, que ofereces água

a todos que passam

e mostras um caminho

aos poucos iluminados.

A ti, que com a tua dança,

o teu ritmo, o teu fogo

transformas as paisagens

e deixas ruas cor de ouro

e deixas árvores cor de linho.

A ti, que estás suspensa na noite

como uma lua branca,

e nos enches com a tua claridade

e nos dás esta grande confiança,

esta alegria imensa de crianças.

A ti esperança, eu dedico

agora e sempre

este poema.

 

João Rui de Sousa (1928) "IN De Palvra em Punho"

Fotografia: Rarindra Prakarsa

terça-feira, 24 de junho de 2008

JOSÉ

afternoon delight

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

Fotografia: Bianca Van Der Werf