terça-feira, 4 de agosto de 2009

«A manhã»

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A manhã estática parada
Entre o Tejo azul e a Torre branca
Que branca e barroca sobe das águas
Manhã acesa de silêncio e louvor
Na breve primavera violenta
Assim a minha vida que era calma
De repente se tornou ânsia e saudade
Mas a brisa da varanda é doce e suave
Um pássaro canta porque alguém regou

Maio de 2000

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pusemos tantos sonhos em seu nome!

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Vimos o mundo aceso nos seus olhos,
E por os ter olhado nós ficámos
Penetrados de força e de destino.
.
Ele deu carne àquilo que sonhámos,
E a nossa vida abriu-se, iluminada
Pelas imagens de oiro que ele vira,
.
Veio dizer-nos qual a nossa raça,
Anunciou-nos a pátria nunca vista,
E a sua perfeição era o sinal
De que as coisas sonhadas existiam.
.
Vimo-lo voltar das multidões
Com o olhar azulado de visões
Como se tivesse ido sempre só.
.
Tinha a face voltada para a luz,
Intacto caminhava entre os horrores,
Interior à alma como um conto.
.
E ei-lo caído à beira do caminho,
Ele - o que partira com mais força
Ele - o que partira pra mais longe.
.
Porque o ergueste assim como um sinal?
Pusemos tantos sonhos em seu nome!
Como iremos além da encruzilhada
Onde os seus olhos de astro se quebraram?
.
.
Sophia de Mello Breyner

Imagem: http://olhares.aeiou.pt/por_sete_mares_foto2717597.html

terça-feira, 30 de junho de 2009

Contemplo o lago mudo


Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexe-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Obrigada Camané!

Camané.S. Mim

Acabo de Chegar do CCB, onde mais uma vez tive o enorme privilégio de  ouvir o meu cantor de eleição!!!

Foi Sublime!  Encantatório ! Inebriante!

Obrigada Camané por Existir!