quarta-feira, 21 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
VOLTEI!
Venho dos limites do tempo
De uma galáxia qualquer
Já fui mar, já fui vento
Agora sou pensamento
Aparado em dado momento
No ventre de uma Mulher!
Meu corpo é magistral!
Brutal! Perfeito! Soberbo!
De início não era verbo
Agora sou o verbo ser
Tenho comigo segredos
Segredos do universo
Transporto no corpo recados
Escrevo em forma de verso.
Venho dos limites do tempo
Não sei o que fui e sou:
Deserto? Nascente?
Já fui Norte, já fui Sul
Pó astral, mar azul!
Luar, estrela cadente.
Eu me vou!
Partirei num cometa qualquer
E serei novamente pôr-do-sol.
Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!
Voltei...Já cá estou…
Agora sou pensamento
Nascido em dado momento
Do ventre de uma Mulher!
(Rogério Martins Simões)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
No país dos sacanas
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
Jorge de Sena
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A culpa é minha?
Tu que trabalhas ou pior ainda, que trabalhavas mas foste despedido, tu que pedis-te dinheiro ao banco para comprar uma casa, tu que comes, que vais à bola, que tens a indecência de tomar café e de mascar pastilha elástica, tu que gastas rios de dinheiro em coisas parvas como em comida, transportes públicos ou em combustível, tu que te atreves-te a comprar prendas de natal, tu que liga a luz à noite e tomas banho de água quente no inverno, tu que vais ao cinema e que ainda por cima fumas que nem um desalmado, tu que obrigas o teu patrão a te pagar um salário, tu que bebes agua quando tens sede, que vais ao médico quando estás doente, tu que trabalhas hoje sem saber se terás amanha, tu já viste bem em que situação está o país, por tua causa? Tu és o culpado de todos os males, é por tua causa que veio o défice e depois a crise e depois o défice e depois a crise e depois o FMI e depois o défice e a crise e a gripe A e a B e a C … tu és o grande culpado da fome, da pobreza, do desemprego e da miséria!
OU NÃO ?
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Os livros – Uma das minhas companhias preferidas.
Os livros. A sua cálida
Terna, serena pele. Amorosa
Companhia. Dispostos sempre
A partilhar o sol
Das suas águas. Tão dóceis
Tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua branca e vegetal cerrada
Melancolia.
Amados
Como nenhuns outros companheiros
Da alma. Tão musicais
No fluvial e transbordante
Ardor de cada dia.
Eugénio de Andrade
Antologia Breve
Porto, Editorial Nova, 1972