segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A revolta do Presidente da AMI

clip_image001  Dr. Fernando Nobre

"Temos 40% de pobres"

III Congresso Nacional de Economistas

O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou hoje a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou "completamente intolerável" que exista quem viva "com pensões de 300 ou menos euros por mês", e questionou toda a plateia se "acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?"
Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar "que exista quem viva com 450 euros por mês", apontando que se sente envergonhado com "as nossas
reformas".
"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e todos outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza
estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..." disse ainda.
"Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir.... algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes... e com razão", salientou Fernando Nobre.

O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que "pensem mais do que dois minutos em tudo isto". Para Fernando Nobre "não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma", criticou, garantindo que a sociedade "não vai aceitar que tudo fique na mesma".
No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. "Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado", citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: "Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais".
Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que "acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros... Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis".

clip_image001[4] Aplausos para o Dr. Fernando Nobre

por Filipe Paiva Cardoso, Publicado em 23 de Outubro de 2009

6 comentários:

lagartinha disse...

Amiga
São raros e não são falados, mas eu sei de casos em que donos de empresas não recebem ordenado para conseguir pagar salários a empregados. Também esses casos deviam ser do conhecimento publico, para que pelo menos as pessoas tenham um pouco de esperança de que nem todos os patrões são uns grandes "sacanas".
Bejocas

Maria disse...

Também aplaudo o Fernando Nobre. É pena que a comunicação social não tenha feito eco destas palavras. Mas já sabemos porquê...

Beijo

elvira carvalho disse...

O meu aplauso para ele. Pena que não haja mais gente assim e que a comunicação social não lhe faça eco.
Um abraço

Meg disse...

Anamarta,

Eu vi e ouvi, Ana!
Eu vi a indignação do Fernando Nobre, assisti à sua revolta genuína.
Mas ao mesmo tempo pensava como ele é uma voz neste deserto de humanidade.
Porque continua a ter razão o Zeca Afonso... eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.

Beijinho para ti

Victor Nogueira disse...

Olá, passei por aqui para conhecer o teu blog,via Facebook, de que gostei.
Bjo
Victor Manuel

Isamar disse...

Não posso estar mais de acordo com o que o Dr. Fernando Nobre disse. Ainda hoje, ao telefone com uma amiga, comentava quão injusto é este mundo, quanto maior é o fosso entre ricos e pobres, quanta revolta existe em mim que tanto desejei a liberdade e que depus a maior esperança no 25 de Abril. Ordenados chorudos contrapõem-se com esmolas de 450 euros para quem tanto trabalha para que tenhamos o essencial na mesa e nas nossas casas. Que desespero nada poder fazer para virar este quotidiano infernal para a maioria dos portugueses.

Bem-hajas!

Beijinhos